• Daniel Gonzales

50 anos do homem na Lua: como a tecnologia ajudou essa façanha

Atualizado: 21 de Jul de 2019

Computador embarcado nas naves Apollo, o AGC pode parecer rudimentar nos dias de hoje, mas foi um feito e tanto de engenharia nos anos 1960


Há exatos 50 anos, em 20 de julho de 1969, dois astronautas norte-americanos, Neil Armstrong e Buzz Aldrin, pisavam na Lua pela primeira vez, na que até hoje é considerada a maior façanha tecnológica da humanidade e o evento mais importante do século XX.


Astronauta opera o Apollo Guidance Computer, no painel do Módulo de Comando da Apollo

A tecnologia e a ciência envolvidas - tanto de criação quanto de desenvolvimento de motores e propulsão, aerodinâmica, sistemas embarcados, simuladores, telecomunicações, telemetria, etc - foram fundamentais para que o feito fosse alcançado. Muita coisa era conhecida, mas tantas outras coisas foram criadas praticamente do zero, forçando cientistas e engenheiros a inventarem o que não existia.


COMPUTADOR DE BORDO


Um destes conceitos, que se tornaram realidade praticamente a partir do nada, foi um computador de bordo que pudesse gerenciar todas as funções do veículo espacial e, mais do que isso, ajudasse nos complexos cálculos de trajetória e diversas fases do voo lunar, incluindo o pouso em nosso satélite natural.


A interface de comando do AGC

A bordo de cada uma das missões Apollo, começando com a 11, e em todas as outras subsequentes que colocaram, cada uma dois homens na Lua - a 12, 14, 15, 16 e 17 - estavam embarcadas nos módulos de Comando e Lunar duas unidades dessa máquina, o Apollo Guidance Computer, ou AGC (Computador de Trajetória da Apollo).


Foi este pequeno (para os padrões dos anos 1960) computador - com 30 kg de peso no total, fora o display com teclado numérico manejado pelos astronautas, um das grandes responsáveis pelo sucesso das missões.


Para os padrões de hoje, a capacidade de memória para rodar aplicações e a velocidade de operação com as quais trabalhava o AGC são totalmente irrisórios.


A capacidade de processamento e o 'clock' da máquina são superadas com folga pelas atuais calculadoras de bolso - e smartphones são milhões de vezes mais potentes, em termos de poder computacional.


2 KB DE RAM


O AGC tinha 2 KB de memória RAM, e não possuía disco rígido - as poucas unidades de memória existentes na época, em universidades e centros de pesquisa, tinham o tamanho de salas inteiras e pouquíssima capacidade de armazenamento, além de não serem propriamente "discos rígidos" e consumirem energia suficiente para abastecer pequenas cidades, com suas válvulas e bobinas.


Os pesquisadores do MIT, que desenvolveram a máquina da Apollo em parceria com a Nasa, conseguiram ligar uma rede de circuitos para dar ao AGC a capacidade de rodar algumas rotinas.


Processadores rudimentares usados no AGC. Os chips de memória surgiriam apenas em 1971

As cerca de 1.000 instruções que cabiam em aproximadamente 70 KB de memória ROM, de armazenamento (menos do que esse texto inteiro que você está lendo agora) ficavam guardadas com uma técnica conhecida como Core Rope Memory, formada por fios entrelaçados. Uma vez programadas as instruções, elas eram de "apenas leitura" e não podiam mais ser modificadas.


Um dos módulos do AGC, que era embarcado nas naves Apollo

Já a CPU operava a uma "incrível" (para a época) velocidade de 0,04 MHz (sim, quatro centésimos) - hoje, os smartphones de alta gama se aproximam dos 2.800 MHz de clock.


SISTEMA OPERACIONAL


O AGC não possuía sistema operacional - e nem sequer o conceito era claro, na época.


Os engenheiros inventaram, para que ele rodasse, uma interessante lista de rotinas baseada em verbos (verb) e substantivos (noun), duas teclas, aliás, presentes no painel de controle do AGC. Observe com atenção.


Além dos programas principais (o de número 64, por exemplo, era o que assumia a trajetória de descida do Módulo Lunar na Lua), havia a possibilidade de os astronautas ingressarem com ações (verbos) para as quais recebiam respostas (os substantivos).


O teclado: repare, à esquerda, nas chaves "verb" e "noun"

Por exemplo, se em determinado momento fosse necessário checar certo parâmetro da nave, bastava entrar com o verbo correspondente que o sistema recebia a informação, por meio de portas lógicas e sensores espalhados pelo veículo espacial, e respondia: siga em frente para a próxima instrução (caso estivesse tudo ok), volte, faça de novo, tente novamente, ignore, etc.


Tais respostas ocorriam por meio de códigos numéricos (era necessário saber o que significava a sequência mostrada no painel naquele determinado momento) ou luzes de alerta - e cada instrução podia se desdobrar em mais rotinas, numa espécie de "árvore".


POUCOS SUSTOS


No geral, a máquina funcionou exemplarmente bem em todas as missões Apollo, não sem pregar alguns sustos.


Há exatos 50 anos, no dia de hoje, quando Neil Armstrong descia para a Lua ao lado de Buzz Aldrin, o AGC apresentou um famoso erro, o 1202.


O erro não afetou o pouso, tanto que Armstrong desconectou o AGC e terminou a operação manualmente.


Posteriormente verificado, o erro significava overflow - ou seja, naquele momento, o computador recebia mais informações do que era capaz de processar.


O AGC, no console do Módulo Lunar

Foi realmente um enorme passo para a humanidade.


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