• Daniel Gonzales

Após quase dois séculos, fotografia pode perder o papel de registro histórico

Atualizado: 25 de Ago de 2019

Novas tecnologias digitais de manipulação da imagem colocam em xeque a veracidade dos registros


Foi em 1837 que o francês Louis Daguerre fez uma das primeiras fotografias da história, registrando, com sua câmera, segundo a Britannica Digital Learning, imagens sobre placas metálicas chamadas daguerreótipos.


A enciclopédia conta ainda que, poucos anos depois, o cientista britânico William Henry Fox Talbot inventou a imagem em negativo, que permitia a impressão de várias cópias em papel, método usado até hoje.


Uma das primeiras fotos da história - Paris, 1838, tirada com daguerreótipo

As primeiras fotografias eram difíceis de tirar, porque as câmeras eram grandes, pesadas e registravam as imagens em placas rígidas, não em filmes. No fim do século XIX, o inventor George Eastman criou o filme flexível e uma câmera pequena e simples, tornando a fotografia mais acessível.


O coordenador da Assessoria de História, Filosofia e Sociologia do Sistema Positivo de Ensino, Norton Frehse Nicolazzi Junior lembra que a fotografia veio inicialmente para ocupar o lugar dos retratistas - pintores que eram contratados para fazer retratos.


“Com o avanço tecnológico, o tempo de exposição foi ficando cada vez menor e o uso da fotografia foi ultrapassando o espaço de apenas retratos para outros serviços, sempre com o intuito de registrar um momento."


REGISTROS HISTÓRICOS


Historicamente, os impactos da fotografia foram incontáveis. Culturalmente, a forma dos registros se alterou, as fotografias passaram a compor os diários, jornais e trouxeram cenas muito importantes, valorizadas como registro histórico.


A Sony Alpha 9, câmera mirrorless, uma das mais avançadas da atualidade

“Se olharmos para o final do século XIX e início do século XX, por exemplo, muitos registros são icônicos até hoje. É só ver os vários bancos de imagem que temos e a maneira como a gente lida com imagens. Fotografias iconográficas, por exemplo, da celebração do final da Segunda Guerra Mundial, da criança vietnamita que foi atingida por Napalm, são muito importantes para a história, nos ajudam a interpretar todo o passado e trazem informações muito importantes para os historiadores e para a sociedade se reconhecer enquanto sujeito histórico”, diz Nicolazzi.


ALTERAÇÃO DAS IMAGENS


Com a evolução da tecnologia, a fotografia foi se popularizando e possibilitando registros familiares e do dia a dia.


“Se antes tínhamos um número limitado de fotos, em um rolo de filme em que não era possível checar se a foto ficou boa, hoje convivemos com uma realidade que mudou o valor da imagem e transformou a relação que as pessoas têm com a fotografia”, enfatiza o historiador, alertando que ao mesmo tempo em que a fotografia se popularizou, o acesso à manipulação dessas imagens também.


Técnicas de manipulação, chamadas 'deep fake', colocam em risco o papel da fotografia como registro histórico

“As fotografias na sua origem eram retocadas pelos artistas após a revelação, para dar um tom mais verdadeiro, mais real. Sabemos de manipulação de imagens durante a revelação ou até mesmo montagem de fotografias e criação de fatos, como aquela famosa fotografia dos soldados estadunidenses em Iwo Jima segurando a bandeira dos Estados Unidos. Hoje, nós temos um sem número de aplicativos que permitem que essas fotografias possam ser manipuladas – e a veracidade delas, enquanto documento, fica cada vez mais questionável”, alerta Nicolazzi.


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