Quem tentou acessar o Instagram recentemente pelo celular ou computador e se deparou com um feed que não carrega, pode ficar tranquilo: o problema não está no seu Wi-Fi. A plataforma da Meta enfrenta uma instabilidade significativa, conforme apontam dados do Downdetector, site monitorado pela Ziff Davis. No momento da redação deste texto, já foram registrados mais de 2.000 relatórios de falhas, indicando que a rede social está fora do ar para uma parcela considerável de usuários.
A falha parece ser generalizada, afetando tanto o aplicativo móvel quanto a versão web. Usuários relatam dificuldades que vão desde a impossibilidade de carregar o feed e visualizar postagens até problemas no envio e recebimento de mensagens diretas (DMs). Embora falhas técnicas e períodos de inatividade sejam eventos esperados no universo tecnológico, esta semana tem sido particularmente turbulenta. Além da Meta, gigantes como Verizon, Yahoo!, X (antigo Twitter) e Microsoft 365 também enfrentaram problemas recentes, sugerindo um cenário atípico no setor. Enquanto a engenharia da Meta trabalha para diagnosticar e corrigir a falha — o que geralmente ocorre com rapidez, salvo problemas estruturais mais profundos —, os criadores de conteúdo ficam temporariamente de mãos atadas.
O momento ideal para planejar
A pausa forçada pelos servidores pode ser frustrante, mas também oferece uma janela estratégica para planejamento. Afinal, quando o aplicativo voltar, a disputa pela atenção do usuário continuará acirrada. Para quem deseja voltar com tudo, parte do segredo do algoritmo foi revelada graças a Jackie Candelaria, que trabalhou por oito anos no Instagram e recentemente viralizou no TikTok ao compartilhar estratégias internas para aumentar o engajamento e as visualizações no Reels.
Os três pilares do crescimento
Segundo Candelaria, o sucesso na plataforma não é aleatório, mas construído sobre uma tríade: comunidade, consistência e autenticidade. O criador deve encarar o perfil como um ecossistema. Mesmo que o foco principal sejam os vídeos curtos, é essencial utilizar o feed e os stories de maneira criativa para divulgar esse material, cultivando um senso de grupo e mantendo uma presença assídua.
O engajamento real depende da habilidade de gerar impacto imediato. Para estimular comentários e compartilhamentos, a ex-funcionária sugere roteiros que contenham uma reviravolta, um elemento surpresa ou perguntas diretas que instiguem a audiência a interagir.
Aspectos técnicos e o “pecado” da marca d’água
Existe uma regra de ouro que muitos ignoram: o Instagram limita intencionalmente o alcance de conteúdos reaproveitados que exibam marcas d’água ou logotipos de outras redes sociais. Para evitar esse boicote do algoritmo, a recomendação é editar os vídeos diretamente na ferramenta do Reels ou utilizar softwares que não deixem selos visíveis.
Além disso, a formatação é crucial. Vídeos devem ser gravados na vertical (proporção 16:9), em alta resolução e sem margens pretas. Outro ponto de atenção é o posicionamento de textos na tela; eles nunca devem cobrir a área visual principal, garantindo uma experiência de consumo limpa e profissional.
Duração e conteúdo: menos é mais
No que tange ao tempo de duração, a objetividade é premiada. Embora o limite máximo seja maior, os vídeos com melhor performance situam-se entre 15 e 45 segundos. Para ter chance de aparecer nas abas de recomendação “Explorar” ou na própria guia de Reels, o conteúdo deve ter obrigatoriamente menos de 90 segundos. A retenção do público é decidida nos primeiros três segundos, então evite introduções longas e vá direto ao ponto.
O humor continua sendo o carro-chefe da rede. Vídeos de entretenimento leve, que arrancam risadas, tendem a performar melhor. Por outro lado, o algoritmo penaliza severamente temas sensíveis. Assuntos como violência, nudez, distúrbios alimentares ou sorteios duvidosos não são necessariamente proibidos, mas a plataforma deixará de sugerir esse conteúdo para novos usuários, matando o alcance orgânico.
Hashtags e paciência
Para ajudar o sistema a categorizar o seu conteúdo, as hashtags e legendas são ferramentas úteis, desde que usadas com parcimônia. O ideal é manter-se entre três e dez tags relevantes, evitando o exagero que pode ser interpretado como spam.
Por fim, a ex-funcionária ressalta que a confiança no processo é fundamental. Mesmo seguindo todas as diretrizes, o algoritmo pode levar até quatro semanas para entender o perfil e começar a distribuir o conteúdo para o público certo. Deletar vídeos que não performaram bem de imediato é um erro, pois isso interrompe o aprendizado da máquina sobre o seu canal. Enquanto a Meta resolve as instabilidades técnicas de hoje, o criador inteligente usa o tempo para ajustar sua estratégia e preparar o próximo viral.